A Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), que, à exceção dos funcionários públicos estatutários, rege o mercado de trabalho no Brasil, foi promulgada por Getúlio Vargas em 1º de maio de 1943. Representou uma grande conquista dos trabalhadores àquele tempo, instituindo garantias importantíssimas. Nesses mais de 63 anos, a lei sofreu mudanças, adequações e atualizações.
Paralelamente, o mercado de trabalho evoluiu de forma ainda mais rápida, com alterações profundas em sua dinâmica e em suas relações. O advento da sociedade do conhecimento e da globalização econômica trouxe novas questões e novos conflitos, que clamam por novas soluções e maior flexibilidade do sistema.
Diante dos muitos e renovados desafios que ora se colocam, torna-se evidente que, mais do que oportuno, é imprescindível conhecer, discutir e redesenhar os mais diversos aspectos das relações trabalhistas no país. Além disso, é preciso deter-se cuidadosamente sobre a matéria para que seja possível identificar os fatores institucionais e mercadológicos que apresentam riscos, mas também abrem oportunidades para o desenvolvimento do país. O desemprego, a informalidade e a má distribuição de renda são mazelas com que o Brasil tem de lidar de forma democrática e persistente. É preciso assegurar que o mercado de trabalho propicie ao nosso setor produtivo competitividade, eficiência e agilidade compatíveis com maiores expansões da economia e de sua inserção mundial. É necessário, igualmente, que o mercado absorva parcelas crescentes da força de trabalho, fornecendo a todos os participantes garantias compatíveis com nossa realidade econômica e nosso desenvolvimento social. São requisitos fundamentais à geração de mais riqueza e maior eqüidade.
E é nesse contexto, caracterizado pela forte presença da tecnologia e da globalização, afetando direta e invariavelmente o mundo do trabalho, que o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), após o êxito em 2005 da primeira edição da série Brasil: o estado de uma nação, dá continuidade em 2006 ao debate sobre a realidade de múltiplos aspectos da vida brasileira. Desta vez, sob o prisma do mercado de trabalho, tema central deste livro.
As análises aqui contidas focalizam, ao longo dos oito capítulos que compõem esta edição, as conexões entre o mercado de trabalho e o ambiente macroeconômico, a dinâmica demográfica, as políticas e práticas educacionais e os avanços da tecnologia, assim como nossas relações com o resto do mundo, as políticas públicas e as instituições do país – aí incluída a previdência social, que aguarda os trabalhadores ao final de sua jornada. O volume ainda disponibiliza ao leitor, como não poderia deixar de ser, uma minuciosa avaliação do desempenho recente do mercado de trabalho brasileiro, que aborda, entre outros tópicos, o emprego, a taxa de participação e uma de suas principais inquietações: a informalidade. A interação entre esses capítulos faz da obra uma referência para o conhecimento de um dos maiores desafios do país, que são as condições de trabalho de sua gente.
Na expectativa de poder fomentar a troca de idéias e de iluminar a difícil arte de decidir os rumos do país, espera-se que esta contribuição seja não apenas fidedigna, mas também instigante e atraente para o leitor, cumprindo assim a missão desta série de discutir o Brasil e apontar os caminhos para o seu progresso.
É com imensa satisfação que o Ipea entrega à sociedade o resultado dos melhores esforços de seu corpo técnico e de uma equipe de valorosos colaboradores, a edição 2006 de Brasil: o estado de uma nação. Versão impressa (pdf 1855kb) [z]
Paulo Bernardo Silva
Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão
Luiz Henrique Proença Soares
Presidente do Ipea
en.ipea.gov.br • Atualizado em 30.08.2005 • Visita nº 137434
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